O sentido normal das palavras não faz bem ao poema
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
E…
Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que Uma nave espacial. Peço desculpa por cometer essa verdade.
Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que Uma nave espacial. Peço desculpa por cometer essa verdade.
( em "Memórias Inventadas para crianças". São Paulo: Planeta do Brasil, 2006.)
Os Dois
Os Dois
Eu sou dois seres.
O primeiro fruto do amor de João e Alice.
O segundo é letral:
É fruto de uma natureza que pensa por imagens,
Como diria Paul Valèry.
O pr…
“É por demais de grande a natureza de Deus. Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular. Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis”.
“É por demais de grande a natureza de Deus. Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular. Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis”.
(trecho do livro em PDF: Meu quintal é maior do …
Quando o mundo abandonar o meu olho
Quando o mundo abandonar o meu olho.
Quando o meu olho furado de beleza for esquecido pelo mundo.
Que hei de fazer.
No caminho, as crianças me enriqueceram mais do que Sócrates. Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvio e de desver.
No caminho, as crianças me enriqueceram mais do que Sócrates. Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvio e de desver.
(em carta a José Castello, publ…
Tenho o privilégio de não saber quase tudo
Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto.
Fui criado no mato e aprendi a gostar
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
A poesia
A poesia! A poesia está guardada nas palavras, é tudo que eu sei.
Meu fado é não entender quase tudo; sobre o nada eu tenho profundidades. Eu não cultivo conexões com o real. Para mim poderoso n…
As folhas das árvores caem para nos ensinar a cair sem alardes
As folhas das árvores caem para nos ensinar a cair sem alardes.
Manoel de Barros.
Para entender nós temos dois caminhos
“Para entender nós temos dois caminhos: o da sensibilidade que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para co…
Sou livre para o silêncio das formas e das cores
Sou livre para o silêncio das formas e das cores.
#manoeldebarros#liberdade#silencio#cores