Monólogos poéticos ( O que há do outro lado …)
Monólogos poéticos ( O que há do outro lado…)
E o que me disseram apenas atravessaram meus ouvidos continuei imóvel, tão imóvel quanto a lua que reluzia no céu.
Eu estava viajando em um longo espaço de tempo mais parecia que eu nunca estivera ali, respirei fundo desviei os olhos que fixados estavam no nada, mas centenas de pensamentos e perguntas e respostas confusas embaralhavam-se pela minha cabeça, percebi que talvez fosse tarde demais, mas para mim nunca fora tarde demais quando ainda se tem forças e uma gota de esperança de recuperar o tempo perdido.
Eu estava lá, como estou aqui agora, escrevendo tão rápido em meus pensamentos que estava a ponto de gritar comigo mesma e dizer : chega, já basta, mas isso não bastaria, afinal, quem me ouviria, e porque eu me ouviria? Se afinal de contas pareço uma louca andando de um lado para o outro, como se estivesse entre a vida e a morte olhando a mim mesma através de uma vidraça vendo os médicos tentando me trazer a vida, isso é inútil como todas as outras coisas e eu deveria saber disso, saber os motivos que me mantém aqui e que as vezes chego á odiá-los mas depois volto á ama-los feito uma mãe que pega um filho em seus braços, quase cheguei a ficar louca de vez eu juro, quando vi tudo branco, detesto tudo branco, me da medo muito medo, por isso prefiro a escuridão, ela me conforta.
Ao me ver o espelho velho e manchado olhando para dentro de meus próprios olhos pude enxergar que ninguém sabe a coisa que sente, ninguém conhece a si próprio e nem a alma que tem, estão ocupados demais com suas rotinas chatas e suas vidas planejadas, não digo ao contrário que eu também estou, e isso me sufoca, é como um jogo que você tenta parar mas não consegue há algo maior que você e eu tudo porque todos na realidade somos fracos, frágeis, e insensíveis com os outros e injustos com nós mesmos.
No final, todos estão mergulhados em um mar de lamurias e estão satisfeitos com tudo isso, mas não, eu particularmente não estou, desde que eu era adolescente e toda vez antes de dormir olhava debaixo da cama se não havia algum monstro lá, mas estava enganada, sendo enganada por mim mesma, porque o monstro estava em mim, no meu próprio medo, e isso me tornou uma daquelas mulheres um pouco perturbadas e assombradas que acorda no meio da noite e senta na cama chorando sem saber o por quê e depois rindo feito louca sem saber o por quê.
Poesias e textos de Gerlany Simioni
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