Havia um cansaço desconfortante nos músculos
Havia um cansaço desconfortante nos músculos.
Os membros pesavam, estagnados.
O mundo girava diante dos globos oculares, falta de concentração, desconcertante procura pela fuga da realidade.
Era desnecessário todo aquele desamor, era penoso, doloroso, sofrido; era algo que nem mesmo as piores pessoas desejariam a seus ainda piores inimigos.
Ela chegou em casa por volta das 3:00.
Era tarde, frio e nem dentro de si havia fogo.
Tudo era ébrio, congelado e vazio.
Havia porém um pensamento, um único… Ela adentrou o recinto, trombando dentre móveis e paredes, de mal subido, foi ao chão.
Seu rosto encontrou a face fria e opaca do chão.
A luz estava acesa e pôde-se sentir todo aquele peso, cansaço e desconforto.
Quem passasse por perto, ainda que desconhecesse as causas, notaria a nítida sensação de morte presente naquele coração, naquelas mãos congelantes que agora tateavam o piso em busca de apoio.
Se até estranhos facilmente o perceberiam, o que explica o fato de os tão próximos nunca notarem?
Seus pulsos estavam sempre recobertos por pulseiras, relógios e adornos, coisas que seriam desnecessárias se não houvesse algo à ser escondido, e havia.
Seus pulsos ardiam a cada nova investida das lâminas que o faziam ferver, e fervia, queimava.
Era penoso, mas necessário.
Naquela condição psicológica, surpreendente era que o suicídio ainda não houvesse ocorrido.
De fato, era inegável que em seus pensamentos, ao menos 5 vezes por dia, essas palavras aparecessem rondando as órbitas neurológicas.
Ela rastejou pelo chão, suas mãos tão pequenas e sem vida carregavam o peso de todo o resto do corpo.
Poderia se deixar vencer pelo cansaço, claro que podia.
Mas faltava tão pouco.
O arrependimento torturaria, ela se torturaria, seu corpo pagaria o preço… Continuar ou se deixar vencer? Continuou.
Desastrosamente, levantou-se.
A boca jorrava sangue, que escorria pelos lábios e se perdia em meio ao preto das roupas.
O cabelo, desgrenhado, gritava por uma pausa, uma parada.
Algo tão necessário a todos estes seres terrenos, algo que ela se nega a dar a si.
Parar não estava nos planos.
Havia algo a se fazer, uma meta a se cumprir.
E ela continuou…
Ao chegar ao quarto, viu-se perdida em meio ao mundo de papéis e folhas amassadas, rasgadas e jogadas.
Desenhos, poemas, textos, prosas… Eram autorais magníficos que ninguém jamais teria a chance de ver.
É inapropriado pensar no quanto foi perdido naquela noite…
Todos foram postos juntos num canto escolhido a dedo, tão inofensivos… Seriam provas, talvez pudessem continuar ali, quietos.
Talvez pudessem ser achados por alguém, talvez pudessem servir para algo, fazer a diferença.
Talvez, se não virassem cinzas em meio ao fogo.
Tudo, tudo virou fuligem.
Começou pela foto.
A nossa foto.
Você lembra? Eu estava ali, coloquei fogo nos papéis.
Deitei na cama, completamente alcoolizada.
Vi o fogo tomar conta de tudo, senti seu cheiro invadir minhas narinas e respirei fundo… 1, 2, 3… Vai passar, vai acabar… A essa altura as chamas tomavam conta das persianas, dos quadros e das garrafas de vodka espalhadas, serviram de combustível e tudo aumentou.
Minha mente dizia-me para levantar, meu coração dizia que continuasse ali, estática.
Meu corpo doía, estava cansado, sonolento, o fogo se tornou entediante.
Meu corpo pediu descanso, e foi o que fiz.
Fechei os olhos e descansei.
Longe de tudo, longe de você.
Virei fuligem, que no fim de tudo, esfriou.
Virei vazio, tornei-me você.
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