Escrevo por não ter nada a fazer no mundo
Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.
Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.
Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos.
Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero.
E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.
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(extraído do livro em PDF: As Palavras)