Um menino chamado…
Um menino chamado…
E tentando – ela milésima vez – ter um pouco de ti nos meus contos, percebo que o perco a cada maldita palavra, as mesmas que, por birra ou consentimento, fazem um carnaval em minha mente todos os dias.
Percebia então a minha falta de respeito com o destino não aceitando outras linhas tortas no meu caminho, justamente por me adaptar em tua linha, tão confusa, e conseguir me aninhar nela.
Desespero, talvez.
Ver-te assim, tão vivo, tão morto, tão seco, fingindo prazer no nada, letargia óbvia, consciência adormecida, olhar vazio, consegui distinguir do sonho qualquer zelo que a ti já dedique, qualquer adoração maluca que, por milhas do tempo, me acompanharam feito uma máscara de porcelana.
Tinha uma boca na tua boca que não era a minha.
Você provou outro gosto, outra espessura.
Você arruinou qualquer possibilidade do nosso par – por mais sem sentido que fosse -, e todos os afetos que algum dia pensei em te presentear num embrulho dourado.
Eu não chorei, porque, veja bem, por mais que sentisse a enxurrada de lembranças me dando pontapés no estômago, a fuga das borboletas, a vontade de verter tudo que um dia escapou junto com o sol naquele fim de tarde.
Apesar das pernas bambas, do caos me consumindo, do impulso insano de sair correndo e não ver, de ficar parada e aplaudir.
Apesar da inveja de quem não conheço, do sentimento de sorte por cair à ficha.
Eu descobri que eu alimentava um monstro aqui dentro, o alimentava com a tua presença, que num piscar de olhos pareceu morrer.
E ao final de tudo eu ainda conseguia sentir pena daquele menino ali tão amedrontado, tão vazio.
Ele era só um menino.
Ele era um menino tão só.
Contemplei a inexatidão dos olhos que há muito me acompanhavam nas mais diversas formas de sonho.
Eu admirava o medo transcendendo em silêncio, e posso até ousar ao dizer que eu sentia o cheiro do teu desespero e ele fedia.
Compreendi então, num lapso, que não precisaria mover um dedo, encontrar um significado para tanto desalento ou um conforto para a tua desordem.
Percebia através da nuvem negra no contorno do teu corpo que tua desconsolação iria te matar aos poucos e você iria seguir se depredando.
Sumindo.
Virando o pó de uma biblioteca com livros sem história alguma.
E até me atrevo a dizer que Gabito Nunes lhe dedicou a frase: “Você mal deve ter uma alma, quanto mais gêmea de alguém.”.
Caiu a ficha de que eu não preciso querer o mal de quem faz isso sozinho, sem precisar de alheios. Acho que você vai me acompanhar pra sempre a cada loucura, a cada gargalhada alta.
Porque você preencheu um vazio em mim que eu nem sabia que existia, e agora eu me sinto vazia também.
Vazia de nós.
Depois de tudo, eu ainda te desejo um novo recomeço e uma nova perspectiva.
Eu te desejo um infinito mais bonito, mesmo que nunca o tenha visto.
Desejo nunca mais te ver de novo.
E pode passar quanto tempo for, eu acho que ainda vou te dedicar os meus melhores versos.
Um menino chamado…
Desculpa, mas eu acho nem sei o teu nome direto.
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