Preciso lhe dizer companheiro
“Preciso lhe dizer companheiro: sou uma árvore do cerrado brasileiro.
Na verdade, não tenho a imponência nem a frondosidade das minhas parentes da amazônia.
No meu terreno a estação seca é castigante e isso me impede de ser alta, reta e elegante.
Meu tronco é prostrado, franzino e todo retorcido, minha pele é cascuda e minhas folhas são grossas como uma lixa usada no polido.
Não desperto a cobiça dos madeireiros porque não tenho utilidade para acabamentos moveleiros.
Se me arrancam da terra, logo me jogam num forno de chão transformando meu corpo em barato carvão.
Meu espaço é valorizado e disputado e às vezes arrebatam nossas famílias inteiras com uso de tratores, correntão e esteiras.
Sou o elo entre os ecossistemas brasileiros.
Alimento e sirvo de refugio para os mais belos pássaros que habitam o planeta: do tucano ao carcará, da seriema ao tangará.
Forneço alimento ao insignificante cupim e assim, este sustenta o tamanduá-bandeira e o resto da cadeia alimentar da extensa fauna brasileira.
Julgue-me pela importância, mesmo desprezada pela nobreza e desprovida de beleza.”
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