[…] SOBRE A VELHICE: Por oposição aos gerontologistas, que
analisam a velhice como um processo biológico, eu estou interessado
na velhice como um acontecimento estético.
A velhice tem
a sua beleza, que é a beleza do crepúsculo.
A juventude eterna,
que é o padrão estético dominante em nossa sociedade, pertence
à estética das manhãs.
As manhãs têm uma beleza única, que lhes
é própria.
Mas o crepúsculo tem um outro tipo de beleza, totalmente
diferente da beleza das manhãs.
A beleza do crepúsculo é
tranquila, silenciosa – talvez solitária.
No crepúsculo tomamos
consciência do tempo.
Nas manhãs o céu é como um mar azul,
imóvel.
No crepúsculo as cores se põem em movimento: o azul
vira verde, o verde vira amarelo, o amarelo vira abóbora, o abóbora
vira vermelho, o vermelho vira roxo – tudo rapidamente.
Ao
sentir a passagem do tempo nos apercebemos que é preciso viver o
momento intensamente.
Tempus fugit – o tempo foge – portanto,
carpe diem – colha o dia.
No crepúsculo sabemos que a noite está
chegando.
Na velhice sabemos que a morte está chegando.
E isso
nos torna mais sábios e nos faz degustar cada momento como
uma alegria única.
Quem sabe que está vivendo a despedida olha
para a vida com olhos mais ternos…
Mensagens Relacionadas
É o homem que fala, das profundezas do seu ser, numa linguagem que nem
É o homem que fala, das profundezas do seu ser, numa linguagem que nem
ele mesmo entende.
Há também gestos que uma eficácia em si mesmos
Há também gestos que
uma eficácia em si mesmos. O dedo que puxa o gatilho, a mão que faz cair a
bomba, os pés que fazem a bicicleta andar: ainda que o assassinado nada saiba e não
ou…
A Morte não é algo que nos espera no fim
A Morte não é algo que nos espera no fim. É companheira silenciosa que fala com voz branda, sem querer nos aterrorizar, dizendo sempre a verdade e nos convidando à sabedoria de viver. A branda fala da…
#poemas#alves#rubem#rubemalves
Ver algo que não foi preparado pelo verbo
Ver algo que não foi preparado pelo verbo é entrar no campo das sensações não organizadas, da alucinação, da loucura.
#alves#rubem#poemas#rubemalvesPor que se gosta de um autor
Por que se gosta de um autor? Gosta-se de um autor quando, ao lê-lo, tem-se a experiência de comunhão. Arte é isso: comunicar aos outros nossa identidade íntima com eles. Ao lê-lo, eu me leio, melhor …
#rubem#alves#rubemalves#poemasHá propriedades que
Há propriedades que, para se fazerem sentir e valer dependem exclusivamente
de si mesmas, por exemplo, antes que os homens existissem já brilhavam as
estrelas, o sol aquecia, a chuva caia …