Revista Prosa Verso e Arte O Aquém – Eduardo Galeano Revista Prosa Verso e Arte Por Revista Prosa Verso e Arte Literatura
Revista Prosa Verso e Arte
O Aquém – Eduardo Galeano
Revista Prosa Verso e Arte
Por Revista Prosa Verso e Arte
Literatura
©Joel Robison
Estimado senhor Futuro,
de minha maior consideração:
Escrevo-lhe esta carta para pedir-lhe um favor.
V.
Sa.
haverá de desculpar o incômodo.
Não, não se assuste, não é que eu queira conhecê-lo.
V.
Sa.
há de ser um senhor muito ocupado, nem imagino quanta gente pretenderá ter esse gosto; mas eu não.
Quando uma cigana me toma da mão, saio em disparada antes que ela possa cometer essa crueldade.
E no entanto, misterioso senhor, V.
Sa.
é a promessa que nossos passos perseguem, querendo sentido e destino.
E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde V.
Sa.
nos espera.
A mim e aos muitos que não cremos em deuses que prometem outras vidas nos longínquos hotéis do Além.
Aí está o problema, senhor Futuro.
Estamos ficando sem mundo.
Os violentos o chutam como se fosse uma pelota.
Brincam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão.
A continuar assim, temo eu, mais cedo do que tarde o mundo poderá ser tão só uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem água, sem ar e sem alma.
É disso que se trata, senhor Futuro.
Eu peço, nós pedimos, que não se deixe despejar.
Para estar, para ser, necessitamos que V.
Sa.
siga estando, que V.
Sa.
siga sendo.
Que V.
Sa.
nos ajude a defender sua casa, que é a casa do tempo.
Faça por nós essa gauchada, por favor.
Por nós e pelos outros: os outros que virão depois, se tivermos um depois.
Saúda V.
Sa.
atentamente,
Um terrestre.
2001
— Eduardo Galeano, no livro “O teatro do bem e do mal”.
tradução Eric Nepomuceno.
Porto Alegre: L&PM, 2006
Mensagens Relacionadas
Prosa Nietzscheana
Prosa Nietzscheana
"Quando venço a mania de ser, desnudo meu próprio eu exposto, diante da mais cristalina forma do espelho. Réproba aos sinalizadores das ordenanças das palavras, ando na escuri…
Sou de barro
Sou de barro
Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água.
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só que…
VANITAS
VANITAS
Só, em silêncio, a inspiração tímida e fria
Poeta… A prosa sai tremulante e inquieta
Rascunhando a estrofe em uma linha reta
De ilusão secreta, dor e suspiro em agonia<…
Detalhes [Sobre ela] As vezes ela era ventania
Detalhes [Sobre ela]
As vezes ela era ventania.
As vezes doce.
As vezes amarga.
As vezes prosa.
As vezes poesia.
As vezes sonho.
As vezes tormento.
As v…
Vai a excelsa presença,
Vai a excelsa presença,
Perfumando uma rosa,
Roseando em prosa,
Versando Magna poesia,
Seguindo pela senda,
Cheia de Celi nostalgia,
Terminei de ler:
Amenidad…
ALMAS FECHADAS
ALMAS FECHADAS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Poetas fazem poesias. Em prosa ou verso. Em formas e fôrmas de poemas, crônicas, contos e artigos, porém sempre poesias. Em seus escritos, falam do…